quarta-feira, 27 de junho de 2012

Viva o Fandango Caiçara!!

Crédito da Foto: Araquém Alcântra
APOIO TOTAL DO COZINHA TRADICIONAL CAIÇARA!

O Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira, dia 25 de junho, publicou a abertura de prazo que qualquer pessoa apresente sua manifestação a respeito da proposta de registro do Fandango Caiçara como Patrimônio Cultural Brasileiro, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O pedido de reconhecimento foi apresentado pelos seguintes institutos:

  • Associação de Fandangueiros do Município de Guraqueçaba,
  • Associação de Cultura Popular de Mandicuéra,
  • Associação Cultural Caburé,
  • Associação dos Jovens da Juréia,
  • Associação Rede Cananéia,
  • Instituto de Pesquisa Cananéia,
  • Associação dos Fandangueiros de Cananéia e
  • Instituto Silo Cultural.

O pedido de registro também tem o apoio de toda a comunidade. Para saber mais vá ao site do Iphan clicando aqui!





Divirta-se!!


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Camarão com Chuchu, um Clássico Caseiro do Litoral


Crédito da Foto: Blog "Um Pouco de Tudo" de Monica Vogt
O Camarão com Chuchu

Mesmo o chuchu sendo originário da América Central, o camarão com chuchu é um prato brasileiro, típico e bastante difundido por todo nosso litoral. Não é muito fácil precisar a origem do delicioso e reconfortante camarão com chuchu.  Talvez não seja de origem caiçara, mas acabou se transformando em um dos pratos tradicionais das comunidades e cidades do nosso litoral. É difícil encontrar algum caiçara que ao ouvir falar do camarão com chuchu não solte um “- Huumm!”

Segundo Câmara Cascudo, historiador, antropólogo, advogado e jornalista que se dedicou ao estudo da cultura brasileira, o ensopado de camarão já era consumido no centro do Rio de Janeiro no fim do século XIX, com influência dos guisados da cozinha portuguesa. Nesta versão da origem do prato, a inclusão do chuchu é creditada aos cozinheiros da Confeitaria Colombo, onde o camarão ensopadinho com chuchu já constava nos cardápios de 1894. 

Câmara Cascudo (na lente de Carlos Lyra) e Carmen Miranda
A iguaria aparece também na letra da música “Disseram que eu voltei americanizada”, sucesso cantado por Carmem Miranda (1909 –1955). Na música a pequena notável afirma que depois da língua, o vínculo com a comida é o mais resistente quando se está longe da pátria. No samba ela encerra o recado dizendo: - “Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu”.

Jovelina Pérola Negra, uma das grandes damas do samba, também cantou o saboroso camarão com chuchu. Com música e letra de Nei Lopes, a canção fala sobre vontade de fazer um camarão com chuchu e a decepção com preço do camarão: -“Fiquei na intenção, camarão tá caro prá chuchu”.

  
Chuchu Beleza

Assim como o tomate, o chuchu é considerado um fruto, pois possui sementes internas envolvidas pela parte comestível. É um alimento com alto teor de fibras, de fácil digestão e pouquíssimas calorias. Possui também potássio, vitamina A e vitamina C. Os brotos de chuchu são ricos em nutrientes como as vitaminas C e B, e também são excelentes fontes de cálcio, fósforo e ferro.

Crédito da Foto: Zoi di Gato

RECEITA

Fácilzão | 8 Porções | Uns 40 minutos

INGREDIENTES

1kg de camarões médios ou sete barbas;
1kg de chuchu;
1 cebola grande ralada;
4 tomates maduros;
1 xícara de coentro de folha larga e alfavaca picadinhas em partes iguais;
3 colheres de sopa de óleo ou azeite de oliva;
½ pimenta dedo de moça, sem sementes, picada;
Sal a gosto.

Você Vai Precisar
Vasilhas
Panela com tampa

PREPARO

Lave os camarões, descasque-os, tempere-os com sal e reserve.

Descasque e corte os chuchus em cubos e reserve.

Numa panela em fogo médio aqueça o azeite e refogue a cebola picada até que fique transparente. Acrescente os tomates, os temperos verdes e a pimenta picada misturando e refogando essa base.

Crédito da FotoBlog "Um Pouco de Tudo" de Monica Vogt 
Junte o chuchu em cubos e refogue por uns 2 minutos misturando tudo. Acerte o sal e deixe cozinhando em fogo baixo por uns 15 minutos e vá acrescentando água aos poucos.

Dica: Se você já está acostumado com os tempos de cozimento do camarão e do chuchu, acrescente o chuchu logo após o camarão e cozinhe os dois juntos. Isso dará mais sabor ao prato. Se você ainda não está familiarizado com estes tempos, refogue primeiro o camarão permitindo que ele libere seus sucos e sabor, por 3 ou 4 minutos, retire-os da panela, acrescente o chuchu e cozinhe-o. Depois acrescente o camarão reservado e termine o cozimento do ensopado.

Acrescente o os camarões, misture tudo, acerte o sal e continue cozinhando em fogo baixo o mínimo necessário para que os camarões soltem seu sabor enriquecendo o ensopado e fiquem cozidos.

Vá verificando a quantidade de caldo do cozimento para secar demais o ensopado e acrescente mais água se achar necessário. Alguns preferem um ensopado mais seco, enquanto outros o preferem mais úmido. Faça o que preferir. Eu gosto de bem úmido.

Sirva com arroz branco, acompanhado de uma boa farinha artesanal ou uma farofinha de alho e manteiga, e aquela sua pimentinha.

Deleite-se!!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Impressionante Pitu, no Bafo


Muitos chamam os caiçaras de “O Povo do Mar”, mas não só dos alimentos e recursos vindos do nosso generoso Atlântico eles vivem, como também não vivem apenas da mandioca e de seus subprodutos como talvez muitas publicações superficiais querem nos fazer acreditar. Ter atingido o estado de arte na utilização da mandioca não significa depender unicamente dela. Aliás a mandioca merece um capítulo especial que desenvolverei em outro momento por aqui.

As comunidades tradicionais caiçaras e as cidades com forte cultura caiçara, verdadeiros patrimônios culturais brasileiros, estão localizados em um ambiente privilegiado, o Bioma Atlântico, composto de importantes ecossistemas brasileiros, aquáticos e terrestres, riquíssimos em biodiversidade que garantem aos caiçaras uma variedade imensa de possibilidades para o desenvolvimento de uma culinária simples saborosíssima e com alma, entre outros aspectos culturais e sociais fascinantes.



O caiçara tradicional associa as expressões de seu modo de vida diretamente à utilização deste território e de seus consideráveis recursos naturais, tanto em sua alimentação, como condição para seu desenvolvimento social, cultural e econômico. O saber culinário caiçara nasce da força de sua capacidade de adaptação a este meio ambiente magnífico e abundante que o rodeia.



Ali, neste encontro entre a Mata Atlântica e o mar, os caiçaras têm a sua disposição imensos recursos encontrados nas encostas da Serra do Mar, nas planícies costeiras, estuários (mar de dentro), restingas, lagoas, manguezais, costões rochosos, praias, no alto mar, nos rios que percorrem as planícies costeiras, e nos riachos sombreados que descem da Serra do Mar e deságuam nas lagoas, estuários e no marzão formando importantes bacias e deltas que compõe nossa admirável paisagem costeira.



Nestes rios e riachos podemos encontrar uma infinidade de espécies de peixes e camarões deliciosos entre eles os pitus, para o qual estamos dando destaque hoje. Podemos encontrar também mariscos e caranguejos originalmente vindos do mar que a milhares de anos se adaptaram a água doce ou salobra. Estas espécies contribuem para o vigor e a alegria das cozinhas caiçaras.

Despesca de Viveiro de Pitus no Rio Ribeira de Iguape  (15 jun 2012)
Os pitus são camarões nativos brasileiros que vivem e se reproduzem em água salobra ou doce. São conhecidas cerca de 12 espécies de camarões de água doce nas regiões caiçaras entre o litoral sul do Estado do Rio de Janeiro e o Paraná, muitos deles chamados de pitus. Popularmente qualquer camarão de água doce, com garras longas, grande e agressivo é chamado de pitu.

Macrobrachium acanthurus - O Pitu
Nos rios e riachos que integram a bacia do Rio Ribeira de Iguape e nos cursos de água da Estação Ecológica da Juréia e da Ilha do Cardoso podemos encontrar a espécie Macrobrachium acanthurus que é a mais conhecida na região como pitu, e que também recebe o nome de camarão canela. Este camarão habita água doce e, às vezes, salobras, escuras, geralmente paradas ou pouco movimentadas, possuem hábitos noturnos e onívoros (que comem de tudo, vegetais e animais).

Macrobrachium carcinus - O Pitu Açu
A espécie Macrobrachium carcinus também encontrada na região e conhecida como lagosta do ribeira. Estas espécies habitam os rios e as baías em áreas de desembocadura de rios e riachos, onde é encontrada sob as pedras e entre a vegetação submersa das margens.

Macrobrachium olfersii e Macrobrachium potiuna - O Pituzinho
Macrobrachium heterochirus Macho e Palaemon pandaliformis
Nesta região também podem ser encontradas outras espécies importantes de camarões de água doce como Macrobrachium heterochirus, Macrobrachium potiuna além de Palaemon pandaliformis e Macrobrachium olfersii, estas duas últimas de menor tamanho. Todos popularmente chamados de pitus. 
Fonte: Crustáceos decápodes de água doce com ocorrência no Vale do Ribeira de Iguape e rios costeiros adjacentes, São Paulo, Brasil - Sérgio Schwarz da Rocha; Sérgio Luiz de Siqueira Bueno

Com uma textura e um sabor considerados por muitos superior às espécies marinhas, o impressionante pitu foi até citado por Pero Vaz de Caminha na “Carta a el-rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil” em 1° de maio de 1500: “...Enquanto aí estávamos, foram alguns (índios) buscar marisco e apenas acharam alguns camarões grossos e curtos, entre os quais vinha um tão grande e tão grosso, como em nenhum tempo vi tamanho.”

De lá para cá, infelizmente a destruição de seus ambientes nativos e a pesca excessiva e descontrolada fizeram o Macrobrachium carcinus, o pitu-açú ou lagosta do Ribeira,  ser considerada uma espécie ameaçada, listada como vulnerável pelo IBAMA em 12 estados brasileiros. Hoje sua captura, venda e manutenção em cativeiro são proibidas por lei.

Pesquei muito pitu com puçá no Rio Ribeira de Iguape. Era só passar o puçá ou uma redinha com cuidado por baixo dos aguapés e pronto! Os maiores a gente conseguia pegar com um covo pequeno tendo como isca banana, espinhas e cabeças de peixe e cacos de cerâmica.

Com o pitu podemos fazer uma série de suculentos pratos tradicionais que começarei postar aqui no blog, iniciando pelo delicioso Pitu no Bafo, cuja receita segue adiante. Resgate ingredientes nativos esquecidos, estimule o comércio justo que beneficie as comunidades locais, garanta que o que você está comendo venha de fontes sustentáveis e divirta-se!



RECEITA

Fácil | 4 porções | 20 minutos

INGREDIENTES

1kg de camarões pitu inteiros (com casca e cabeça);
½ dose de cachaça boa;
1 tomate;
2 dentes de alho;
1 cebola;
1 punhado de coentro de folha larga e alfavaca, em partes iguais;
1 pimenta dedo de moça, sem sementes, bem picada.

Dica: Quer deixar o negócio chique? Acrescente algumas fatias bem finas de gengibre e um pouco de capim santo (a parte clara) bem picada.

Você vai Precisar
Uma panela funda com tampa

PREPARO

Lave bem os pitus, tempere com sal e reserve;
Pique bem o tomate, a cebola, o alho, os temperos verdes e a pimenta dedo de moça;
Forre o fundo de uma panela funda com todos os temperos, acrescente a cachaça e acomode por cima os pitus;
Tampe a panela e cozinhe em fogo médio por aproximadamente 10 minutos. Com cuidado, mexa os temperos e vire os pitus de vez em quando para que cozinhem por inteiro e absorvam os sabores do molho;
Quando os pitus estiverem bem vermelhos estarão prontos;
Sirva com um arroz branco fresquinho e uma salada bacana.

Delicie-se!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

É Festa!!!... As Tainhas Estão Chegando!!!

Crédito da Foto: Samir Rogério/VC Repórter (Palhoça/SC)
Os meses sem “R” estão aí! Além dos caranguejos estarem gordos é época de Tainha! Os preparativos anteriores, as orações de proteção e fartura; as bençãos as embarcações e as rede da véspera, e aquele frio na barriga antes de ir para o mar vão culminar num período festivo e agitado de abundância, companheirismo e tradição nas comunidades caiçaras de todo o litoral das regiões Sul e Sudeste. Desde o dia 15 de maio está aberta oficialmente a temporada de pesca da tainha e agora, no início de junho, elas estão chegando maiores e com suas ovas maravilhosas.

Tchelo (meu primo) e as Maravilhosas Tainhas - Junho de 2005
Todo caiçara que se preza espera esta época mais fria do ano com avidez. É o momento de cercar os cardumes, passar as redes e lancear atrás das belíssimas e deliciosas cabeçudas do lombo azul e cinza que movimentam a economia, a cultura, o turismo e, é lógico, as cozinhas do todo o litoral caiçara. É o espetáculo da fartura! É tempo de festa!


Crédito das Fotos: Mariza Ortiz Carvalho e Guto Kuerten/AgênciaRBS
A pesca da tainha é a segunda modalidade de pesca extrativa marinha mais importante do Brasil. Ocorre desde antes de nossa colonização, com os índios tupi-guarani, até os dias de hoje. É notável a mobilização de todos os grupos sociais litorâneos em torno deste peixe nos meses de captura (maio a agosto). A tainha tem um verdadeiro poder de “aglutinação” das populações costeiras ao longo de nosso litoral.


Crédito das Fotos: Rogério Kreidlow e A Notícia
Poderíamos bater mó papão sobre a importância da pesca da tainha, seu simbolismo e como ela se constitui em um denominador comum da cultura caiçara, mas acho que basta apenas dizer que, não importa se por acaso, por sincronicidade ou por um desígnio divino, a natureza presenteia as comunidades caiçaras com as maravilhosas tainhas e suas ovas fantásticas justamente no período mais frio e menos produtivo das roças e do mar. (Saiba mais em Tainha na Rede). Viva a natureza!!

Comemore, divirta-se e se delicie, pois a festa começou!

Acesse a Programação de Eventos Gastronômicos Caiçaras aqui do Blog, escolha o evento mais próximo a você, pé na estrada e divirta-se, ou vá até uma peixaria de sua confiança, compre uma tainha bonitona e delicie-se com as receitas abaixo:

RECEITAS

Crédito da Foto: A Vitrine do Sabor

OVAS DE TAINHA FRITAS

Fácil | 4 porção | 20 minutos

INGREDIENTES
4 ovas de tainha de bom tamanho
2 limões galegos
Farinha de trigo que baste
2 colheres de sopa de salsinha picada
Óleo para fritura
Sal e pimenta a gosto

Você Vai Precisar
Frigideira alta
Duas vasilhas ou travessa fundas para temperar e empanar
Pegador ou escumadeira
Escorredor coberto com papel absorvente

PREPARO
Limpe as ovas com cuidado para não romper a membrana que as envolve.
Tempere-as com o suco de um limão, o sal e a pimenta. Deixe tomar gosto por uns 10 minutos.
Passe-as pela farinha de trigo e frite-as em fogo médio até que fiquem cozidas e douradas.
Escorra em papel absorvente, cubra-as com a salsinha picada para decorar e sirva-as inteiras ou em rodelas, com o outro limão cortado em gomos e aquela pimentinha. Podem ser servidas como aperitivo ou acompanhadas de uma saladinha.

Crédito da Foto: Editora Abril
MOELA DE TAINHA

Fácil | 4 porções | 10 minutos

INGREDIENTES
1 kg de moelas de tainha
2 limões galego
4 dentes de alho picados
Sal a gosto
Azeite de oliva para fritar

Você Vai Precisar
Frigideira
Vasilha para temperar

PREPARO
Lave bem as moelas e escorra-as.
Tempere as moelas com sal e o suco de um limão.
Em um frigideira bem quente, coloque o azeite e frite as moelas. Vá revirando-as e quando começarem a dourar. Acrescente o alho picado e termine de dourar.
Retire-as do fogo, cubra-as com a salsinha picada para decorar e sirva-as como aperitivo com o outro limão cortado em gomos e aquela pimentinha.

VEJA TAMBÉM:

Crédito da Foto: Come-se

DELICIE-SE!!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Bomba! Bomba! A Caipirinha é Caiçara!!!


Crédito da Foto: Quintall - Tudo de Bom
Eu também não sabia e fiquei surpreso!

Pesquisando sobre a caipirinha encontrei o esclarecedor slideshare de Marco Antonio Batan, Doutor em Ciências da Comunicação pela USP e caipirólogo a mais de 40 anos, “A Terra da Caipirinha”. Nele o autor explica:

“Muita gente confunde a caipirinha com a batida de limão, a “brasileirinha”, e atribuem a origem da caipirinha aos anos 20, porém são bebidas diferentes. A batida de limão é preparada com suco de limão, aguardente e açúcar e como é feita para muitos copos, é acondicionada em um litro e guardada na geladeira. Já a caipirinha é individual, feita com o próprio limão, cortado em pedaços, macerados com açúcar no copo em que vai ser servida, acrescentando aguardente e gelo a mistura é aerada com ajuda de outro copo ou coqueteleira e é bebida na hora. Não dá para guardar."

"O gelo à vontade só surge no Brasil a partir de 1954 com os refrigeradores elétricos, sendo que ainda nos anos 50, predominavam as geladeiras com barras grandes de gelo que eram muito preciosas para serem quebradas em pedrinhas a serem colocadas em bebidas. Era nessas “geladeiras de gelo” que se resfriava o litro de batida de limão, a brasileirinha. Não existia a caipirinha."

A Geladeira "A Gelo" da "Brasileirinha" e As Forminhas de Gelo das Geladeiras Elétricas que Permitiram a Caipirinha
“Qualquer apreciador de caipirinha sabe que a pinga artesanal não dá uma boa caipirinha, pois o aroma e o paladar acentuado do carvalho ou do bálsamo onde foi envelhecida interferem no resultado final da mistura. A cachaça industrializada é melhor para fazer a caipirinha do que a aguardente artesanal."

E segue, para minha surpresa:

"É exatamente por isso que a história da caipirinha tem origem em Santos. O primeiro engenho de cana de açúcar do Brasil, o Engenho dos Erasmos, construído em 1530, fica no sopé do Morro da Nova Cintra, local onde até hoje moram descendentes de portugueses açorianos e da Ilha da Madeira. No local havia, na metade do século XX, diversos alambiques e considerável plantação de cana de açúcar. A “Morrão” produzida no Morro da Nova Cintra, famosa na década de 50, era uma pinga artesanal comparável às melhores cachaças de Parati."

Engenho dos Erasmos - Santos/SP
Entretanto a cachaça industrializada, também era vendida em garrafas na região – Três Fazendas, Tatuzinho, Velho Barreiro e Pitú – todas originárias da região de Piracicaba e adjacências. Vindas do interior, estas cachaças eram chamadas pelos caiçaras da região de “cachaça caipira”, para diferencia-las da pinga artesanal, a Morrão que era nobre demais para ser misturada a gelo e limão e que a degustavam pura.

Aguardente do Morrão produzida no Engenho dos Erasmos em Santos/SP
Crédito das Fotos:
Novo Milênio
Foi com a cachaça caipira, o limão galego e o gelo dos refrigeradores elétricos que a caipirinha surgiu em Santos, litoral de São Paulo, no final dos anos 50. Rapidamente se espalhou e podia ser encontrada, em qualquer lugar de Santos e do litoral paulista. Desde o internacional Parque Balneário Hotel, meca de elite paulista, o Cassino Atlântico, a Balneária, o Boa Vista, o Olympia e o Gáudio, até nas barracas de praia e em qualquer botequim. Muito de seu sucesso ocorreu graças ao limão macerado e ao gelo, que dão a mistura um paladar mais suave e menos agressivo que a cachaça “in natura” mantendo, ao mesmo tempo, o jeito de bebida forte.

Crédito da Foto: Cocktails For Life
Portanto o coquetel conhecido como caipirinha surge em Santos, no final dos anos 50, como uma bebida de praia, influenciada pelas barracas de praia e os balneários, combinando sol, tempo de relaxar e férias.”

Santos/SP
Crédito das Fotos
: Tadeu Nascimento
Caiçaras, orgulhem-se e mão a obra! Seguem algumas receitas de caipirinhas caiçaras e nossas sugestões de acompanhamento para as mesmas.


RECEITAS

Crédito da Foto: Cozinha Pequena - 10 Metros Quadrados de Sabor 
CAIPIRINHA DE LIMÃO GALEGO - A ORIGINAL

Ingredientes
1 limão galego cortado em fatias finas
1 colher sopa de açúcar
1 boa dose de cachaça
Muito gelo picado.

Preparo da Caipirinha de Limão Galego

Crédito da Foto:
Cozinha Pequena - 10 Metros Quadrados de Sabor
Preparo
Descasque o limão, corte-o ao meio e retire a parte branca central. Corte as metades do limão em fatias.
Coloque o limão fatiado em um copo e acrescente o açúcar. Esprema tudo com um socador.
Acrescente a cachaça, o gelo e bata na coqueteleira.

Sugestão do Cozinha Tradicional Caiçara



CAIPIRINHA DE FOLHA DE MEXERICA

Crédito da Foto: Gastromix
Ingredientes
De 6 a 8 folhas grandes de mexerica (um pouco mais de meio copo).
1 colher de sopa de açúcar
1 dose generosa de cachaça
Muito gelo picado

Preparo
Lave bem as folhas de mexerica e coloque-as em um copo.
Macere as folhas de mexerica com uma parte da dose de cachaça e todo o açúcar, até extrair o sumo das folhas (é isso que dá a cor característica à bebida).
Acrescente o restante da cachaça, adicione gelo e bata na coqueteleira. Se achar interessante coe.

Sugestão do Cozinha Tradicional Caiçara

Sirva com ManjubinhaFrita




CAIPIRINHA DE LIMÃO E GENGIBRE

Ingredientes
1 limão galego
Algumas fatias de gengibre laminado
1 colher de sopa de açúcar
1 dose generosa de cachaça
Muito gelo picado

Preparo
Descasque o limão, corte-o ao meio e retire a parte branca central. Corte as metades do limão em fatias.
Descasque o gengibre e fatie-o em lâminas finas.
Em um copo coloque rodelas de limão e gengibre laminado, com um pouco de cachaça e açúcar.
Amasse levemente para que o limão solte seu suco, bem como o gengibre.
Adicione mais cachaça, complete o copo com gelo e bata na coqueteleira.

Sugestão do Cozinha Tradicional Caiçara


DIVIRTA-SE!!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Aquela Manjubinha Frita Que Alegra Ainda Mais Nosso Bate Papo


 Crédito da Foto: Pescadinho

Na simplicidade da saborosa manjubinha frita repousa sua força e sua mítica. Ela é quase um marco representativo do mundo intuitivo, honesto, marcante e delicioso dos petiscos simples. A básica manjubinha, junto a outros quitutes lendários, forma um contraponto ao mundo pretensioso e muitas vezes árido dos acepipes sofisticados. Mooooleza! 

Fácil, rápida, simples e quase viciante, a manjubinha frita é um dos maravilhosos petiscos de DNA Caiçara que acompanham muito bem uma gelada para molhar a palavra num prazeroso papo com os amigos. Simples assim!

RECEITA

Fácil | 1 porção | Uns 30 minutos.

INGREDIENTES

1 kg de manjubas frescas e inteiras
Suco de 1 limão galego ou cravo
1 xícara de farinha de trigo
1 xícara de fubá (opcional)
1 punhado de alfavaca e coentro de folha picados
Sal a gosto
Óleo para fritar

Crédito da Foto: Clube dos Colaboradores
Dica: A manjuba é um peixe bem sensível, verifique se a manjuba está realmente fresca. O corpo deve estar branquinho e firme, os olhos brilhantes e as guelras vermelhas.

Você Vai Precisar
Frigideira alta para fritar
Duas vasilhas ou travessa fundas para temperar e empanar
Pegador ou escumadeira
Escorredor coberto com papel absorvente

PREPARO

Lave as manjubas e coloque-as em uma vasilha funda. As manjubas vão ser preparadas inteiras.

Crédito da Foto: Um Pouco de Tudo
Tempere-as com o suco do limão, o sal, a alfavaca e o coentro. Deixe marinar por uns 15 minutos.

Deite (minha Vó Antoninha escrevia assim em suas receitas) a farinha de trigo e o fubá em outra vasilha funda e misture bem. Quando você achar que as manjubinhas já pegaram bem o gosto dos temperos, comece a empaná-las. Sacuda-as para retirar o excesso de farinha e reserve.

Crédito da Foto: Um Pouco de Tudo
Dica 1: Como a manjuba é um peixe pequeno, você pode empaná-las remexendo-as com as duas mãos pela farinha, ou coloque a farinha e o fubá dentro de um saco plástico. Coloque as manjubas neste saco e chacoalhe bem. A farinha vai cobrir muito bem todo o peixe.

Dica 2: A mistura de farinha de trigo e fubá vai dar uma cor mais bonita e uma crocância maior as manjubinhas. Você também pode utilizar só a farinha de trigo ou só o fubá. Arrisque-se e seja feliz!

Frite as manjubinhas virando-as até que estejam douradas. Estando em um ponto que você ache legal, coloque-as em um escorredor com papel absorvente.

Dica: As manjubas vão ser fritas em imersão. Daí usar uma frigideira funda e colocar óleo suficiente para cobrir pequenas porções do peixinho. Elas devem fritar lado a lado e não uma encima do outra. Sacou?

Sirva-as imediatamente, acompanhadas de limão e daquela sua pimentinha. Alguns gostam de deixar a disposição um vidro de shoyu. Muito shoyu encobre o sabor delicado do peixe, mas fica bom também.

Dicas Importantíssimas: Como as manjubas foram preparadas inteiras, ao comê-las talvez você prefira retirar as cabeças. Alguns as comem inteiras. Alguns as preferem mais "limpas". Anos de prática e observação apurada resultaram nestas técnicas para devorá-las sem espinha:

Torce e Puxa: Com uma das mãos segure o corpo do peixe e com a outra o rabo, torça com cuidado o corpo para um lado e o rabo para o outro. Isso fará a espinha se soltar da carne. Ainda segurando o corpo, puxe delicadamente o rabo. Se a técnica for executada com extrema perícia a espinha sairá inteirinha.

Aperta e Puxa: Com um dedo na região dorsal e outro no região ventral, aperte de leve o peixe. Naturalmente a carne se soltará da espinha. Segurando o corpo, puxe o rabo. Se a técnica for executada com maestria a espinha sairá inteirinha.

Seu prêmio por este trabalho extra: No espaço onde estava a espinha, esprema o limão, coloque a pimenta ou tasque o shoyu. Delicie-se!

Quase! Treine, a prática leva a perfeição!
Crédito da Foto: Vicente Suzuki
Divirta-se!
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